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Tempo de Guerra

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Mais um dia de briga com o pai do meu filho. Sempre o mesmo motivo, "alguém envenena ( ) contra mim". Como alguém pode ter um conceito tão pequeno de mundo. Exalta as qualidades e inteligencia do filho como se fossem naturais, e trata as criticas como se fossem ensaiadas. Facil demais viver assim.
Sempre farejando a alegria alheia pra inventar problemas que na verdade não existem. Hoje a tentativa de me apontar como uma pessima mãe ou um mal exemplo falhou, e acabamos brigando pois já não acredito mais nisso. Me resolver com este assunto deve incomodar mais do que minhas fotos, minhas festas, meu crescimento.
Gostaria que algumas coisas terminassem como começaram, um dia acordar e pensar acabou. Como uma guerra que dura anos e um dia não há mais barulho de bomba nenhuma.
És meu melhor amigo, mas já não lhe devo nada. Se em algum momento eu errar com meu filho , ele terá o tempo necessário para me cobrar e espero ter tempo suficiente para responder, mas não acredito em compensações.
Tratar a todos como animais de estimação, alimentar e manter aquecido não podem ser consideradas virtudes.
Estamos felizes e bem, e continuaremos desta forma, e crescendo sempre.

Pessoa

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Ainda aguardando o momento em que isso tudo vai passar. Tem , de alguma forma que ter um fim. Normalmente não leva tanto tempo, um dia ou dois no máximo e deixa de ser interessante. Deixa de ter graça.
Mas dessa vez não. Apesar de existir um desejo de que tudo continue exatamente como está, existe uma mistura de tristeza e euforia experimentado há muito tempo atrás, mas que eu nem sei dizer se é bom ou ruim. Normalmente depois disto eu me dou muito mal e apesar de querer acreditar que não, vai acabar acontecendo de novo.
O pé quebrado poderia ter ficado pra um outro momento na minha vida, um em que eu estivesse apenas cansada, com o coração tranquilo.
Por mais que eu tente pensar em outra coisa, lembrar de algum outro momento, fazer algum plano, sei lá, não consigo. De 5 em 5 minutos me pego pensando no mesmo assunto. Não raro acho que estou ficando doente. E se pelo menos eu soubesse o que fazer ...

Minha vontade é de desafiá-lo a gostar de mim.

Paixões em Caixas

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Estou presa dentro de casa a 3 dias por conta de um pé quebrado. Meus contatos com o "mundo exterior" são minhas 3 amigas, minha mãe, o celular sem créditos e a internet.
Minha mãe está com meu filho, uma pecinha de quase quatro anos ligado no 220. Minhas amigas se revezam entre o trabalho (trabalhamos todas juntas) e o meu entretenimento e cuidados. Pelo celular tenho noticias dos meus pares de trabalho braçal e na Internet eu jogo, de bilhar a tarô, na tentativa de ocupar as horas que parecem não ter a menor intensão de passar.
A ociosidade definitivamente é coisa do capeta, que nos joga direto nos braços de coisas que não devíamos mexer, lembranças que não deveríamos ter e sentimentos que podiam perfeitamente permanecer onde estavam, ou seja, guardados.
Resisti bravamente a necessidade de sofrimento, minha especialidade. Assim como a Frase no filme A mulher invisível - As mulher nunca estão felizes quando estão felizes, lá vou eu pra mais um engano, nada demais.
Hoje revirei a caixa das minhas lembranças, a caixa de um grande amor, que acabou. Deixa saudades mas depois de 10 anos de convivência e de uma louca paixão, acabou. Na verdade aos olhos de quem está de fora acabou faz tempo, só não havia acabado pra mim.
Desde o dia em que dei um basta nesta triste situação e percebi que ,sim, ainda estava viva, tenho me sentido mais leve. E apesar de ter entrada na maior encrenca de todas (ainda não entrei, mas pretendo) me sinto leve, e estranhamente feliz.
Mesmo olhando de canto de olho para o meu passado , que antes me fazia chorar horrores, só vejo guardada nas minhas caixas todas as minhas paixões, e por elas guardo apenas um carinho especial, sem magoas. Passou.
Lembro de sorrisos, cartas, musicas, filmes, cheiros, sons, abraços e sinto uma saudade boa, que já não me faz chorar, mas me permite sorrir. Pessoas diferentes que passaram por mim e me ensinaram alguma coisa, e que espero que tenham aprendido alguma coisa comigo também, nem que seja só o despertar do instinto de proteção.
Nestes 3 dias alguma coisa mudou em mim. Assumi a minha bestialidade por estar apaixonada como uma adolescente, de saber que vai acabar mal e querer mesmo assim, de ficar feliz só por estar no mesmo ambiente que a pessoa e saber que ela está bem, de já poder guardar a lembrança de mais um sorriso, outro bilhete, uma música, um cheiro e outro abraço. A maldita memória de elefante que não me permite esquecer nada.
Revivo a cada minuto tudo aquilo que foi bom, e quer saber não me arrependo ou me envergonho de nada. Acho que é isso, depois de tantos anos, meu medo passou.
 
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