Subir | Descer

 

Paixões em Caixas

~ ~
Estou presa dentro de casa a 3 dias por conta de um pé quebrado. Meus contatos com o "mundo exterior" são minhas 3 amigas, minha mãe, o celular sem créditos e a internet.
Minha mãe está com meu filho, uma pecinha de quase quatro anos ligado no 220. Minhas amigas se revezam entre o trabalho (trabalhamos todas juntas) e o meu entretenimento e cuidados. Pelo celular tenho noticias dos meus pares de trabalho braçal e na Internet eu jogo, de bilhar a tarô, na tentativa de ocupar as horas que parecem não ter a menor intensão de passar.
A ociosidade definitivamente é coisa do capeta, que nos joga direto nos braços de coisas que não devíamos mexer, lembranças que não deveríamos ter e sentimentos que podiam perfeitamente permanecer onde estavam, ou seja, guardados.
Resisti bravamente a necessidade de sofrimento, minha especialidade. Assim como a Frase no filme A mulher invisível - As mulher nunca estão felizes quando estão felizes, lá vou eu pra mais um engano, nada demais.
Hoje revirei a caixa das minhas lembranças, a caixa de um grande amor, que acabou. Deixa saudades mas depois de 10 anos de convivência e de uma louca paixão, acabou. Na verdade aos olhos de quem está de fora acabou faz tempo, só não havia acabado pra mim.
Desde o dia em que dei um basta nesta triste situação e percebi que ,sim, ainda estava viva, tenho me sentido mais leve. E apesar de ter entrada na maior encrenca de todas (ainda não entrei, mas pretendo) me sinto leve, e estranhamente feliz.
Mesmo olhando de canto de olho para o meu passado , que antes me fazia chorar horrores, só vejo guardada nas minhas caixas todas as minhas paixões, e por elas guardo apenas um carinho especial, sem magoas. Passou.
Lembro de sorrisos, cartas, musicas, filmes, cheiros, sons, abraços e sinto uma saudade boa, que já não me faz chorar, mas me permite sorrir. Pessoas diferentes que passaram por mim e me ensinaram alguma coisa, e que espero que tenham aprendido alguma coisa comigo também, nem que seja só o despertar do instinto de proteção.
Nestes 3 dias alguma coisa mudou em mim. Assumi a minha bestialidade por estar apaixonada como uma adolescente, de saber que vai acabar mal e querer mesmo assim, de ficar feliz só por estar no mesmo ambiente que a pessoa e saber que ela está bem, de já poder guardar a lembrança de mais um sorriso, outro bilhete, uma música, um cheiro e outro abraço. A maldita memória de elefante que não me permite esquecer nada.
Revivo a cada minuto tudo aquilo que foi bom, e quer saber não me arrependo ou me envergonho de nada. Acho que é isso, depois de tantos anos, meu medo passou.

0 comentários:

Postar um comentário

 
© 2009 - Elephant Gun
IniMinimalisKah is proudly powered by Blogger